Uma conferência com maioria feminina nas telecomunicações

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O ser humano apresenta diversas características e comportamentos imperceptíveis. Como aqueles que, em seu íntimo, guardam preconceitos que não querem admitir porque fazem parte de um ambiente que, de sua perspectiva, é completamente normal, mas inconscientemente leva o ser humano a desejar o mal alheio.


Algo tão simples quanto exigir igualdade de gênero pode ser um insulto tão grande, uma ofensa tão amarga, uma quebra de tal calibre do que é aceitável, que o ataque para proteger a intolerância se concentra em causar dor ao interlocutor. A natureza faz com que as pessoas sintam descontentamento ao ver o triunfo do outro ou até alegria ao notar uma persona non grata em momentos de amargura.

Um dia desses afirmei que era anacrônico defender um setor de telecomunicações que exclui a opinião das mulheres. Na sequência, uma voz me disse que estava tudo bem, que simplesmente não havia especialistas suficientes no mercado para conseguir fazer um evento deste perfil com as mulheres protagonizando. Recebi então mais de um desafio para poder mencionar os nomes daquelas que, em um mundo “utópico”, seriam as protagonistas.

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A minha reação foi primeiro corrigir o “utópico” porque não há impossibilidade de que o que poderia estar sugerindo pudesse acontecer, a palavra “hipotético” seria mais apropriada porquê tem mais proximidade com a realidade. A segunda questão foi que, neste momento, no México, (local onde aconteceria o evento de telecomunicações) existe uma necessidade mínima de 15 à 20 pessoas entre palestrantes, panelistas, moderadores e convidados internacionais, sendo as mulheres normalmente, 25% de todos os apresentadores.

Minha lista preliminar (de cabeça sem realizar nenhuma pesquisa), foi que, para painelistas e palestrantes do México posso contar com um mínimo dez pessoas que se distinguiram pelo conhecimento do setor de telecomunicações e pela qualidade de seus trabalhos nos últimos anos: Salma Jalife, Elena Estavillo, Adriana Labardini, Mónica Aspe, Judith Mariscal, Clara Luz Álvarez, Yolanda Martínez, Cristina Ruiz de Velasco, Elizabeth Peña e Irene Levy.

Entre as convidadas internacionais, incluí Martha Suárez, diretora da Agência Nacional de Espectro da Colômbia; Virginia Nakagawa Morales, que é vice-ministra de telecomunicações do Peru; Hannia Vega, que faz parte da Superintendência de Telecomunicações da Costa Rica; e como analistas seriam convidadas Sonia Agnese, da consultoria britânica Ovum, e Gina Sánchez, da Frost & Sullivan.

Além disso, como moderadoras de um painel, eu consideraria várias jornalistas com uma longa carreira no mercado, como Carla Martínez, Susana Mendieta e Guadalupe Michaca. Finalmente, para não ser acusado de ser sexista, haveria três especialistas do setor convidados para esta conferência: Ernesto Piedras, Enrique Melrose e Ricardo Zermeño.

Claro que sempre encontrei um porém, com uma pergunta, com uma contradição. Quando eu respondi que o conhecimento não tem gênero e que eu estava cansado de ir a eventos onde muitos palestrantes não diziam nada, eles simplesmente me respondiam “bem, você está certo”. De qualquer forma, o fato de eu ter que listar especialistas, das quais me lembrei de cabeça me instiga até que ponto estamos longe de alcançar aquela harmonia, seja o conhecimento e a capacidade de cada pessoa e não o seu gênero.

Mas o preconceito nem sempre é passivo, não adianta ficar trancado em uma sala esperando a boa corrida do seu infortúnio passar. Os sentimentos de destruição que se acumulam, mais cedo ou mais tarde, explodem, atingindo todos aqueles que o rodeiam. É por essa razão que devemos estar vigilantes e não nos calar quando enfrentamos o que aparentemente é discriminação de gênero.