Três conselhos para investir com segurança em tempos de juros baixos

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Se não houver uma virada radical na economia brasileira e no mundo, esta primeira redução da taxa básica de juros (taxa Selic), decidida nesta quarta-feira (31), será apenas a primeira de uma série. Até o fim do ano, os juros anuais, que hibernaram durante um ano e meio no nível de 6,5% nominais, terão caído para 5,5% ou 5% (e mesmo abaixo disso).


Isso significa que os juros-base da economia adentrarão um terreno desconhecido, no qual a taxa de juros real, ou seja, descontada a inflação, ficará nas vizinhanças de 1%.

A seguir, três regrinhas para investir corretamente em tempos de juros baixos:

1. Obedeça ao tripé segurança-liquidez-rentabilidade

Fuja das ofertas que prometem oferecer o máximo dessas três pernas. Por definição, nenhuma aplicação consegue produzir tal proeza. Investimentos mais seguros normalmente oferecem menos rentabilidade, assim como os mais rentáveis não são os mais líquidos (podem ser rapidamente transformados em dinheiro).

Ações podem ser mais rentáveis, dependendo do preço do momento, mas são menos seguras e as cotações podem oscilar.

Imóveis são seguros, mas liquidez e rentabilidade podem ser menos atraentes. Em períodos de crise econômica, por exemplo, como o atual, os preços tendem a estabilizar por longos períodos e a liquidez pode encalhar, levando tempo para que a venda se concretize.

Câmbio pode render muito e é líquido, mas o risco é sempre grande. Dizem até que antecipar as cotações do dólar é um exercício inventado para humilhar os especialistas.

2. Só aplique se estiver bem informado

Entenda o que se joga no mercado e obtenha o máximo de informação prospectiva sobre ele. Investimento em ações, na Bolsa, por exemplo, é antes de qualquer coisa apostar no desempenho da empresa que emite as ações.

O resultado positivo depende das perspectivas do setor em que a empresa opera, da administração da companhia, das reservas de que ela dispõe para enfrentar turbulências. Isso sem falar na política de distribuição de dividendos e das perspectivas de instabilidades nas cotações.

3. Leve em conta seu perfil de investidor

Não adianta se tornar investidor mais agressivo ou mais conservador quando ocorrem mudanças no ambiente de negócios e dos investimentos. Seu estilo pessoal e de comportamento devem ser a base de qualquer decisão. A tendência é que alterações forçadas de comportamento produzam hesitações. E vacilações no ramo dos investimentos são meio caminho para perdas e prejuízos.

O novo quadro dos investimentos

Para quem toma dinheiro emprestado, essa situação inusitada não chegará a mudar muita coisa. O spread bancário se encarregará de manter altos os juros na ponta do tomador final do empréstimo.

Mas, para quem investe, a novidade trará quase uma revolução na maneira como se está acostumado a aplicar economias. Será necessário sair da zona de conforto das aplicações puras em renda fixa e ingressar em áreas de investimentos que prometem recompensar melhor o investidor, mas que trazem com eles doses maiores de risco.

O olhar deverá se dirigir, a partir de agora, muito mais para aplicações em ações de empresas cotadas em Bolsa de Valores, bem como para suas derivações na forma de fundos de investimento e papéis de crédito privado. O mesmo vale para os imóveis e suas novas expressões financeiras, com destaque para os já bastante procurados fundos imobiliários.

Estômagos mais fortes, provavelmente, se sentiriam atraídos pela aplicação em moedas — melhor dizendo das taxas de câmbio e derivados, dizendo melhor ainda, do dólar. Não custa lembrar que, em regimes de câmbio flutuante, como o adotado pelo Brasil, juros básicos e câmbio funcionam, na essência, como vasos comunicantes. Por isso, embora não seja uma regra exata, sempre que os juros básicos caem, a tendência da taxa de câmbio é de subir.

Operar com segurança e sucesso nesse novo mundo exigirá mais arte e muito mais conhecimento dos mercados que o requerido até agora. Arte depende mais da intuição e experiência de cada um. Conhecimento, porém, é mercadoria diferencial para colher melhores frutos nesses novos tempos de juros baixos.