Segundo a PF, milhares de alunos foram prejudicados por fraude no FIES que envolve dono da Universidade Brasil

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A Operação Vagatomia da Polícia Federal, prendeu, nesta terça-feira (3) o dono da Universidade Brasil, José Fernando Pinto da Costa e outras 21 pessoas que faziam parte de um esquema de fraudes no Financiamento Estudantil do Governo Federal (FIES) e na comercialização de vagas e transferências de alunos do exterior, principalmente Paraguai e Bolívia, para o curso de medicina em Fernandópolis (SP).


Costa era o líder da organização criminosa. Ele também ocupava o cargo de reitor e era parceiro financeiro de grandes clubes de futebol, como o Corinthians, Flamengo e Atlético Mineiro.

No início do ano, a PF recebeu denúncias sobre crimes e irregularidades que estariam ocorrendo no campus de um curso de medicina em Fernandópolis.

As vagas para ingresso, transferência e financiamentos FIES para o curso de medicina estariam sendo negociados por até R$ 120 mil por aluno.

As investigações, que duraram 8 meses, apontaram que, nos últimos cinco anos, aproximadamente R$ 500 milhões do FIES e PROUNI foram concedidos de maneira fraudulenta. Fraudes relacionadas a cursos de complementação do exame REVALIDA também estão sob a mira da PF.

Um empresário, de 63 anos, e seu filho, que também é sócio do grupo educacional, não só tinham conhecimento, mas também participavam dos crimes em investigação.

Uma estrutura formada por funcionários e pessoas ligadas à universidade dava condições para que as fraudes fossem realizadas.

“Assessorias educacionais”, com o apoio dos donos e toda a estrutura administrativa da universidade negociaram centenas de vagas para alunos (muitos deles já identificados) que aceitaram pagar pelas fraudes para serem matriculados no curso de medicina.

Entre os que compraram as vagas e financiamentos, estão filhos de fazendeiros, servidores públicos, políticos, empresários e amigos dos donos da universidade, “todos com alto poder aquisitivo, que mesmo sem perfil de beneficiário do FIES, mediante fraude, tiveram acesso aos recursos do Governo Federal”, informou a Polícia Federal, que estima que MILHARES de alunos carentes pelo Brasil foram prejudicados com as fraudes.

Alunos denunciantes eram ameaçados

A PF relatou ainda que os alunos que ingressaram de forma regular procuraram o MPF para denunciar as fraudes. No decorrer das investigações, identificou-se ameaças feitas pelo dono da universidade a esses alunos, além de tentativas de influenciar e intimidar autoridades, destruição e ocultação de provas, etc.

Os empresários estariam investindo os recursos obtidos com as fraudes em imóveis urbanos e rurais no Brasil e no exterior, além da compra de aeronaves (helicóptero, jatinho e avião) e dezenas de veículos de luxo, que a PF bloqueou ainda hoje.

Os presos foram indiciados pelos crimes de organização criminosa, falsidade ideológica, inserção de dados falsos em sistemas de informações e estelionato majorado, cujas penas somadas podem chegar a 30 anos de reclusão.

Eles serão ouvidos e posteriormente conduzidos para cadeias da região de cumprimento da prisão onde permanecerão presos à disposição da Justiça Federal.

Foram expedidos 77 mandados judiciais nas cidades paulistas de Jales, Fernandópolis, São Paulo, São José do Rio Preto, Santos, Presidente Prudente, São Bernardo do Campo, Porto Feliz, Meridiano, Murutinga do Sul, São João das Duas Pontes e Água Boa no Mato Grosso. Foram determinadas 11 prisões preventivas, 11 prisões temporárias, 45 ordens de busca e apreensão e 10 medidas cautelares, além do bloqueio de bens e valores dos investigados em até R$ 250 milhões.

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, agradeceu Sergio Moro pela operação:

Obrigado Sérgio Moro! A Polícia Federal prendeu 20 pessoas por fraudes de R$500 milhões no FIES, PROUNI e Revalida. Todos ricos que, tiraram vagas de quem precisava, para comprar imóveis e aeronaves. Com o PR Bolsonaro, a festa acabou e tigrada vai para a cadeia, enjaulada. 😁

— Abraham Weintraub (@AbrahamWeint) September 3, 2019

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