Problemas da Apple na China vão além da guerra comercial – e não devem desaparecer tão cedo

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SÃO PAULO – Os problemas da Apple na China, que levaram a empresa a


perder US$ 70 bilhões

em valor de mercado na semana passada, estão longe de desaparecer tão cedo.

Na última quarta-feira (2), o CEO da Apple, Tim Cook, publicou uma carta em que anunciava aos investidores da companhia que as expectativas para o primeiro trimestre deste ano foram revistas e a receita seria mais fraca que o antes projetado – de US$ 84 bilhões, ante estimada entre US$ 89 bilhões e US$ 93 bilhões.

A principal justificativa para a menor receita é a queda nas vendas de iPhones. Cook citou a “magnitude da desaceleração econômica, principalmente na China”, além das tensões comerciais entre o país asiático e os Estados Unidos, como alguns dos fatores que motivaram esse fenômeno. Mas a explicação vai ainda além.

O mercado chinês de smartphones já está saturado, com fabricantes como a Huawei e Xiaomi vendendo smartphones tão bons quanto os iPhones por US$ 300 – em média US$ 600 mais baratos que os smartphones da Apple – e ganhando maior participação no mercado.

A queda na confiança dos consumidores chineses fez com que eles passassem a optar pelos modelos mais baratos aos de primeira linha da Apple. 

O mercado de smartphones em geral sentiu queda na China neste ano, mas quem mais perdeu com isso foram a Apple e a sul-coreana Samsung, que anunciou nesta terça-feira (8) que terá lucro operacional até 30% menor.

Deslizes da Apple também colaboraram para criar o cenário de baixa nas vendas: principalmente, a falta de novos atrativos nos iPhones deste ano e os preços dos mesmos. A última geração dos smartphones não apresentou recursos tão atrativos quanto a anterior em termos de inovação e tem preços de até US$ 1.449, desmotivando os consumidores a trocarem de aparelho e, portanto, diminuindo o ciclo de substituição do produto.

Analistas já apontavam para indícios dessa situação problemática. Em dezembro, conforme noticiou o InfoMoney, o analista Angelo Zino, da CFRA, sinalizou que os donos de iPhone agora ficam mais tempo com um mesmo modelo do celular conforme sua qualidade melhora e o preço médio deles fica mais alto.

Desde então, já existia a expectativa de que o ciclo dessa última geração de iPhones fosse de baixa pela primeira vez desde o ano fiscal de 2016 e o ciclo do iPhone 6s.

Há de se lembrar também que os consumidores chineses têm comportamento diferente dos demais, principalmente norte-americanos. Uma pesquisa da consultoria Aurora Mobile apontou que somente 60% dos atuais usuários de iPhone no país pensam em continuar com a marca para seu próximo celular, contra 90% nos Estados Unidos.

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