Polícia apreende quase 850 quilos de maconha em Foz do Iguaçu (com análise)

A Polícia Federal em trabalho conjunto com militares da Força Nacional apreenderam ontem (15/7) em Foz do Iguaçu, no Paraná, 843 quilos de maconha embalados em fardos. Os policiais patrulhavam o rio Paraná de barco quando avistaram uma embarcação clandestina a remo nas proximidades da margem, na altura da favela do Jardim Jupira, que fica…

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A Polícia Federal em trabalho conjunto com militares da Força Nacional apreenderam ontem (15/7) em Foz do Iguaçu, no Paraná, 843 quilos de maconha embalados em fardos.

Os policiais patrulhavam o rio Paraná de barco quando avistaram uma embarcação clandestina a remo nas proximidades da margem, na altura da favela do Jardim Jupira, que fica ao lado da Ponte Internacional da Amizade.

Quando os bandidos perceberam a chegada dos policiais, pularam na água e subiram a barranca do rio correndo. Infelizmente, conseguiram fugir.

Os fardos de maconha foram encontrados durante a vistoria da embarcação, em seguida foram encaminhados à Delegacia da Polícia Federal de Foz do Iguaçu.

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Análise

É desnecessário dizer que Foz do Iguaçu/PR, é fronteira com o Paraguai, por onde entra no país toneladas e toneladas de maconha.

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A cocaína costuma vir da Bolívia e do Peru, mas do Paraguai vem mais a maconha e semelhantes, como skank.

Alguns pontos me chamaram a atenção nesta apreensão (e parabéns às nossas forças policiais!).

O primeiro deles foi que ontem, noticiamos uma apreensão de maconha que possivelmente estava entrando no país a partir de Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, e também teria vindo do Paraguai.

Apreensão de drogas na Raposo Tavares: com análise

Mas desta vez a droga foi apreendida no rio Paraná, em um barco clandestino e a remo. Como traficantes não são conhecidos por dotes atléticos e altíssimas habilidades físicas, é dedutível que eles atuam naquela região.

O fato de estarem desarmados e terem empreendido fuga pela mata, abandonando o barco e a droga, indica que estavam tranquilos, que a operação geralmente é tranquila, e que portanto não esperavam patrulhamento policial da fronteira, assim é inegável que tenham sido surpreendidos e que se trate de um aviso para o narcotráfico também: a região agora é policiada, deu ruim pro transporte ali.

Outra coisa, é que a Polícia Federal é responsável sim pelas fronteiras, mas a presença da Força Nacional foi uma novidade. Explico: a Força Nacional precisa ser escalada, são destacados os melhores policiais militares de cada batalhão que recebem um intensivo treinamento extra, e então passam a compor o time. Esta operação geralmente é rápida, como foi o caso dos ataques das facções ao nordeste no começo do ano.

Ou seja, a minha dedução aqui é que estes militares da FN foram destacados há pouco tempo e especificamente para estas operações de fronteira com a PF.

Isso indica que a brincadeira do narcotráfico acabou mesmo em Foz. Vão ter que vender bala no trem, virar MC, arrumar um carrinho de cachorro quente, enfim, emprego em algum lugar, porque maconha dificilmente passará por ali.

Agora as coincidências

Em março de 2016 o Jornal da Cidade de Foz noticiou que MST ocupou uma fazenda em Santa Terezinha de Itaipu, município vizinho de Foz, e que também é banhado pelas águas do rio Paraná.

Santa Terezinha de Itaipu  - Santa Terezinha de Itaipu - Polícia apreende quase 850 quilos de maconha em Foz do Iguaçu (com análise)

Os membros do movimento estavam acampados na rodovia BR-277, também conhecida como Grande Estrada, que liga o Porto de Paranaguá à Ponte da Amizade, em Foz do Iguaçu, e passa pelo município vizinho, Santa Terezinha de Itaipu.

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Em setembro de 2007, 12 anos atrás aproximadamente, o Estadão noticiava uma apreensão de 130 quios de maconha numa área de assentamento do MST, em São Miguel do Iguaçu, na divisa do Paraná  com o Paraguai. Antes, a polícia apreendeu 1.590 quilos de maconha escondidos no meio de sacos de ração, que estavam em um caminhão que trafegava pela BR-277.

Nesta ocasião o motorista do caminhão abandonou o veículo e fugiu para dentro da mata. A polícia o seguiu na área do Assentamento Antonio Tavares, antiga Fazenda Mitacoré, onde parte da droga estava escondida em uma caixa para a criação de abelhas.

Um outro carregamento de maconha – de 2,4 toneladas – foi aprendido pela polícia em  Itaipulândia, também às margens do Lago de Itaipu.“, e junto havia um fuzil calibre 762 carregado, diz a mesma notícia.

No mês seguinte, em outubro de 2007, a Gazeta do Povo noticiou a expulsão de pelo menos 4 famílias do mesmo assentamento.

Exatamente um ano depois, em setembro de 2008, houve um caso interessantíssimo: o MST protestou contra a soltura de 8 famílias que estavam usando o assentamento para colaborar com o tráfico de drogas na região.

mst paraná 2008  - mst paran   2008 - Polícia apreende quase 850 quilos de maconha em Foz do Iguaçu (com análise)Trezentos manifestantes ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) ocuparam o posto de pedágio do quilômetro 704 da BR-277, em São Miguel do Iguaçu, na região oeste do Estado, para este protesto.

O motivo do ato foi um possível retorno de oito famílias, supostamente envolvidas com o tráfico de drogas, ao Assentamento Antônio Tavares, no mesmo município. Uma audiência para definir a situação das famílias estava marcada para ontem, no Fórum de Foz do Iguaçu.

De acordo com o MST, as oito famílias tinham sido afastadas do assentamento porque foram acusadas de colaborar com o tráfico de drogas na região. Há cerca de um ano, o movimento chegou a denunciar que traficantes estavam aliciando famílias de trabalhadores para que estas estocassem maconha no local, próximo do lago de Itaipu.“, segundo o site Tribuna PR.

A Gazeta do Povo também deu a mesma notícia naquele ano.

O que se pode dizer é que, pelo menos uma década atrás, havia um conflito do MST com o narcotráfico na região.

Em abril do ano passado, policiais militares da COTAMOTRAN (Companhia Tática Móvel de Trânsito) abordaram um ônibus em Curitiba que transportava membros do MST que vinham de Foz do Iguaçu e durante a revista foram encontrados dois tabletes de maconha.

Eles foram encaminhados a Central de Flagrantes para assinar um Termo Circunstanciado. A notícia foi publicada pelo Portal Interbuss.

Voltando a 2019, a polícia encontrou em 30 de janeiro, 500 pés de maconha plantados em uma fazenda no Paraná, que havia sido invadida pelo MST. A notícia foi publicada pelo G1 e consta que a invasão da fazendo aconteceu em 2008.

Um representante do MST respondeu ao veículo, que a área onde estavam os pés de maconha não era ocupada e não pertence a nenhuma família ligada ao movimento, e que o MST apoia as investigações.

Pouco depois, em fevereiro deste ano, a Agência Brasil noticiou que a apreensão de quase 1.6 tonelada de maconha pela Polícia Federal, numa carreta que transportava farelo de milho, após denúncia anônima. O veículo trafegava pela BR 277, quando foi parado pelos policiais no posto da PRF de Santa Terezinha do Itaipu, no Paraná.

Mesmo local, alta carga. É obviamente uma rota do narcotráfico.

O motorista foi preso em flagrante e a carga e o caminhão aprendidos, sendo conduzidos para a Delegacia da PF em Foz do Iguaçu.

O que se pode dizer aqui é que, há muitas coincidências, inclusive pelo que falta: um intervalo de dez anos sem informações: de 2008 a 2018.

O que houve neste período?

Não sei ao certo, mas em 2018 o único fato diferente foi a eleição de Bolsonaro, com a nomeação de Sérgio Moro para o Ministério da Justiça e Segurança Pública, que nitidamente endureceram a vida do narcotráfico. Então, coincidentemente, as informações sobre o assunto começaram a brotar como grama em terra fértil.

Também é possível afirmar que há dez anos o MST registrava conflito com narcotráfico nas proximidades de Foz do Iguaçu, com expulsão de pessoas registrada inclusive, e que, coincidências ou não, parece haver conflito ainda.

Seja como for estamos falando de toneladas de maconha que geralmente entram pela fronteira com o Paraguai, ou por Ponta Porã/MS ou por Foz do Iguaçu/PR.

 * Fonte: Polícia Federal

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