Parece que nem um caminhão de dinheiro está sendo suficiente para convencer recém-formados a trabalhar para o Facebook

0
34
parece-que-nem-um-caminhao-de-dinheiro-esta-sendo-suficiente-para-convencer-recem-formados-a-trabalhar-para-o-facebook

Ex-recrutadores do Facebook dizem que a imagem danificada da empresa está afastando possíveis contratações, de acordo com uma nova reportagem. A empresa, enquanto isso, afirma que as coisas vão muito bem, obrigado.

Há pouco mais de um ano, o mundo descobriu que os dados de cerca de 87 milhões de usuários do Facebook chegaram às mãos da Cambridge Analytica, uma sombria companhia de consultoria política, e que a rede social não conseguiu garantir que os dados de seus usuários fossem realmente excluídos pela empresa.

Esse gigantesco colapso de privacidade continua sendo o mais terrível escândalo até hoje. Ele acabou dando a tônica do que seria o horrível ano de 2018 para o Facebook. Isso, por sua vez, estaria afetando a capacidade de a empresa contratar grandes talentos, segundo a CNBC.

“Os escândalos de privacidade, o material da Cambridge Analytica — os alunos não estão mais interessados ​​em ir trabalhar no Facebook”, disse um antigo recrutador de recém-formados ao site do canal de TV dos EUA.

Vários recrutadores que deixaram o Facebook disseram à CNBC que as taxas de aceitação de ofertas de emprego desde o escândalo da Cambridge Analytica, que ganhou as manchetes em março do ano passado, declinaram seriamente.

Os ex-recrutadores afirmaram que a taxa de aceitação de graduados para cargos em tempo integral caiu de 85% para o ano letivo de 2017-2018 para algo entre 35% e 55% em dezembro do ano passado. A queda mais acentuada foi entre graduados da Carnegie Mellon, que foi para 35%.

Um ex-recrutador também alegou que as taxas de aceitação para trabalhos de engenharia de software nas equipes de produtos do Facebook caíram de 90% no final de 2016 para quase 50% no início deste ano.

O Facebook, no entanto, diz que esses números são falsos. Anthony Harrison, um porta-voz da empresa, disse ao Gizmodo em um e-mail: “Os números da reportagem não são verdadeiros”.

Ele continuou:

“Contratamos os melhores engenheiros do mundo para trabalhar no Facebook e estamos contratando mais engenheiros do que nunca. Este ano, cerca de 2/3 de nossos recrutas de engenharia das escolas Carnegie Mellon, Stanford e Ivy League aceitaram suas ofertas e, em geral, a porcentagem de ofertas aceitas pelos engenheiros subiu em 2019. Continuamos a atender nossas metas de recrutamento de engenharia e estamos confiante de que vai continuar.”

E tudo isso pode ser tecnicamente verdade. Afinal, o Facebook paga bem seus funcionários. Engenheiros ganham uma média de cerca de US$ 150 mil por ano, de acordo com a Glassdoor, que descobriu que até os estagiários podem ganhar cerca de US$ 8 mil por mês, o que equivale a ganhar um salário de cerca de US$ 96 mil por ano. Estagiários. Isso mesmo.

Ex-recrutadores também disseram à CNBC que as pessoas que estão fazendo entrevistas de empregos no Facebook agora estão fazendo perguntas mais difíceis sobre como a empresa lidará com a privacidade e que estão se sentindo mais pressionadas a preencher posições agora do que no passado.

“Geralmente, metade da contratação é feita pela própria marca Facebook em si”, disse um recrutador não identificado que saiu em 2019 da empresa à CNBC. “Esta é a primeira vez que muitos de nós tivemos que acompanhar de perto o processo para garantir que os principais candidatos não acabassem escapando.”

No fim das contas, é a palavra do Facebook contra a dos recrutadores. Quaisquer que sejam os números, pelo menos fica evidente que algumas pessoas que trabalharam para a empresa ainda pensam no escândalo da Cambridge Analytica mais de um ano depois e sentem a necessidade de falar sobre isso. Mesmo que a empresa ainda esteja arrecadando montanhas de dinheiro, a ideia de que sua imagem permanece ilesa é risível.

O fato de algumas pessoas inteligentes pensarem duas vezes antes de trabalhar no Facebook não é surpreendente. Não seria a primeira vez que os estudantes tomavam uma posição contra uma empresa de tecnologia líder com base em sua bússola moral.