Oficial boliviano preso por narcotráfico disse que foi advogado de Evo Morales

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he sido abogado del presidente Evo Morales” – Gonzalo Medina

O ex-coronel Gonzalo Medina, diretor da Força Especial de Luta Contra o Crime (FELCC), uma divisão da Polícia Nacional boliviana, afirmou ter sido o advogado do presidente Evo Morales e do embaixador da Bolívia na Holanda, Eduardo Rodríguez Veltzé, que também foi presidente da Bolívia em 2005.


A afirmação foi feita em 24 de abril durante audiência com a juíza Ana Gloria Rojas, um dia após a prisão preventiva do ex-coronel pelo envolvimento com o narcotraficante internacional, Pedro Montenegro Paz.

Ele se antecipou à juíza e disse:

Yo no pedí ser tanto tiempo comandante o director de la FELCC. La última vez, el ministro de Gobierno [Carlos Romero] dijo que era una decisión política que yo me quede porque necesitaba un hombre fuerte para combatir la criminalidad en este época electoral. A mí me tocaba ser director nacional. Asumí disciplinadamente, pese a que mi derecho estaba relegado y no me correspondía”, disse Medina.

Na audiência ele declarou que trabalha como advogado e que é capaz de defender a si próprio na justiça, como conhecedor das leis, e reforçou o próprio conhecimento, somando ao currículo uma atuação como professor catedrático por 18 anos, outra atividade como diretor jurídico do Comando Geral da Polícia, de ter sido advogado do presidente, Evo Morales, e do embaixador e ex-presidente, Eduardo Rodríguez.

He trabajado insistentemente, he sido director jurídico del Comando General de la Policía y catedrático por 18 años. He sido oficial intachable, he sido abogado del presidente Evo Morales, del ministro, he sido abogado del presidente Rodríguez Veltzé”, reforçou o acusado no tribunal.

Entre as declarações feitas no tribunal, Gonzalo acrescentou o arrependimento por ter condecorado o narcotraficante, Pedro Montenegro.

Por que Eduardo Rodríguez Veltzé é importante?

Veltzé foi presidente da Bolívia por um curto intervalo de tempo, de 9 de março de 2005 até 22 de janeiro de 2006. Foi nomeado embaixador por decreto presidencial em 3 de abril de 2013, função que exerce agora na Holanda.

Houve um referendo popular na Bolívia em 21 de fevereiro de 2016 que ficou conhecido como 21F. Neste referendo o povo foi consultado se queria ou não que Evo Morales se candidatasse novamente e o resultado foi NÃO. Uma parcela de 84% da população boliviana votou. Destes, 51,3% disse não.

Eduardo Rodríguez defende, veladamente, a permanência de Evo no poder. Ele foi consultado na Corte Internacional de Justiça (TIJ) em Haia, na Holanda, sobre sua posição pessoal a respeito do referendo de 2016 e se omitiu de responder. Na Assembléia Permanente de Direitos Humanos da Bolívia (APDHB), ele novamente foi questionado e novamente se absteve.

Evo Morales luta por uma cadeira para Rodríguez na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA). No entanto, na mesma comissão encontram-se denúncias contra a participação de Evo numa possível reeleição.

Aparentemente, trata-se de uma troca de favores entre o embaixador e o presidente, na qual o povo arca com o prejuízo.

Evo nega tê-lo contratado

No Twitter, o presidente da Bolívia, Evo Morales, declarou no dia 6 de maio, jamais ter contratado os serviços do ex-coronel como advogado.

He leido en algunos medios que el excoronel Gonzalo Medina declaró que fue mi abogado. Nunca contraté sus servicios como abogado.“, twittou Morales.

He leído en algunos medios que el excoronel Gonzalo Medina declaró que fue mi abogado. Nunca contraté sus servicios como abogado.

— Evo Morales Ayma (@evoespueblo) May 6, 2019

No dia seguinte, 7 de maio, em entrevista à rádio Panamericana afirmou que existem “delinquentes e narcotraficantes que tratam de acusar de tudo“, e ratificou desconhecer Medina.

Dizer que foi advogado de Evo, não entendo o que ele quer. Quem sabe ele quer politizar sua situação, não entendo, mas não o conheço“, reforçou o mandatário.

O ex-presidente, Veltzé, também negou conhecer o ex-coronel.

O intrépido oficial teve que abaixar a bola

No dia seguinte, Abraham Quiroga, o advogado de Gonzalo, afirmou que Evo e Veltzé estavam corretos. Segundo ele houve um erro de transcrição no depoimento de Medina.

Hubo un error de taipeo (transcripción) en el acta de la audiencia cautelar, el coronel Medina manifestó que en su momento fue asesor del Comando General en la gestión del presidente Evo Morales y Eduardo (Rodríguez) Veltzé”, disse o advogado.

Yo no estoy diciendo que tuvo relaciones directas, estoy diciendo que el coronel Medina fue asesor del Comando General o Nacional en las gestiones de Rodríguez Veltzé y Evo Morales”, declarou.

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