O Futuro da Indústria no Brasil

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O decepcionante resultado da produção industrial neste janeiro no Brasil merece reflexão e ação. É a indústria quem gera empregos e não o campo. 

Por Guilherme G. Villani

Em mais um típico gráfico de vôo de galinha, o desempenho da indústria voltou a decepcionar. O destaque negativo foi a produção de bens de capital, o que reflete a baixa demanda por investimentos em máquinas e equipamentos.

É compreensível. A produção está estagnada há muitos anos, refletindo em capacidade ociosa no parque industrial. Portanto seria natural que os investimentos sejam feitos em matéria-prima e estoque. Mas aparentemente nem isso está acontecendo.

- IBGE 300x127 - O Futuro da Indústria no Brasil

- Grafico Gala 300x201 - O Futuro da Indústria no Brasil

Acompanho as postagens e artigos de dois grandes pensadores brasileiros sobre o tema – Paulo Gala e Stephen Kanitz, que possuem visões complementares sobre a derrocada da indústria brasileira nos últimos anos.

- gala 241x300 - O Futuro da Indústria no BrasilO economista Paulo Gala é professor da Fundação Getúlio Vargas FGV/EESP de São Paulo. Foi gestor de fundos multimercado e renda fixa, hoje é CEO e Economista da Fator Administração de Recursos/FAR. Gala possui uma página na internet e canal no Youtube onde se dedica aos temas de Economia & Finanças, desenvolvimento econômico dos países entre outros.

- kanitz - O Futuro da Indústria no Brasil

O contabilista Stephen Kanitz é professor da Faculdade de Economia e Administração da USP/SP. Criou a edição anual Melhores e Maiores da revista Exame. Foi articulista da revista Veja por anos. Também possui página na internet, Facebook e canal no Youtube onde se dedica a temas de Administração de Empresas e Administração Responsável das Nações.

Recomendo aos leitores acompanhar as excelentes publicações desses dois senhores.

Gala atribui ao decadente desempenho da indústria brasileira nos últimos 30 anos à queda da sofisticação produtiva (capacidade de produzir muitas coisas) e a baixa complexidade do tecido produtivo.

Kanitz enfatiza a dificuldade de empresas familiares terem uma administração profissional e por inúmeros problemas da economia brasileira, o mais recente o da falta de Capital de Giro.

Anteriormente já havia escrito um artigo sobre a “obsessão” de Kanitz pelo tema falta de capital de giro. Pois bem, recentemente o professor se entusiasmou pelo fato do secretário de Política Econômica Adolfo Sachsida se debruçar no tema e tentar encontrar mecanismos para destravar o crédito para o capital de giro, aquele necessário para as empresas comprarem insumos e produzirem, ou seja, “girar” a produção. Sachsida foi o primeiro economista apoiar abertamente a candidatura de Jair Bolsonaro.

- sachida 300x251 - O Futuro da Indústria no Brasil

Kanitz, que já esteve com Temer, esteve com o então ministro da economia Antônio Palocci para entregar um Plano Emergencial de Combate à Recessão Brasileira em março de 2009. O Plano, anexo aqui, traz interessantes e atuais propostas tributárias e trabalhistas que dariam um empurrão para nossa indústria neste momento. Trazendo de volta os empregos perdidos nos últimos anos.

Gala por sua vez tem um diagnóstico preciso do que aconteceu com a indústria brasileira nos últimos 50 anos. E como a Ásia desenvolveu a sua. Toca em temas sensíveis (que a esquerda tanto ama) como o protecionismo excessivo do modelo de substituição das importações : “É mais fácil lutar para manter os privilégios do que conquistar mercados no mundo”.

No entanto, em minha visão, uma ampla abertura comercial neste momento poderia sacramentar o fim da indústria nacional. Os asiáticos possuem grande sofisticação e complexidade produtiva. Inundariam o mercado brasileiro. Seria oportuno zerar impostos de importação apenas em produtos que elevariam a produtividade do país.

Donald Trump entendeu a dificuldade de lidar com a competitiva indústria asiática. E quem traduziu para nós seus acertos foi Kanitz no artigo Entenda Trump e o Comércio Internacional.

O presidente americano enfrentou todos os países com os quais os EUA possuem grande déficit comercial. Refez acordos, protegeu a indústria nacional, e por outro lado deu um choque de competitividade ao seu país, cortando impostos, desregulando e desburocratizando. O resultado? O gráfico abaixo responde.

- Trump 300x170 - O Futuro da Indústria no Brasil

Gala já se posicionou sobre a questão da Reforma Trabalhista e a questão do emprego. Sozinha não resolve.

“A grande questão a meu ver é que nosso volume total de empregos e vagas de trabalho é muito ruim pois as empresas brasileiras ficaram para trás e estão perdendo a corrida tecnológica, especialmente nossas indústrias…

…Para melhorar a qualidade de fato de nossos empregos só uma transformação estrutural que aumente a produtividade poderá resolver! (sofisticação produtiva conquista de mercados mundiais).”

Os problemas são de todos os horizontes de tempo – curto, médio e longo – e de alta complexidade regulatória, tributária e trabalhista. Infelizmente nos últimos anos quando se fala em indústria no Brasil só se pensa em indústria automobilística em detrimento de inúmeros setores, desde os mais básicos até os da Industria 4.0.

Particularmente não conheço os atuais secretários da equipe de Paulo Guedes, os currículos aparentemente são excelentes, cabe aguardar para que sua equipe tenha um bom diagnóstico e sejam assertivos nas proposições.

Se escutarem aqueles que acompanham há anos o drama da indústria brasileira e queda de empregos no setor acredito que as chances de recuperação da nossa indústria aumentam.

Fontes:

https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/23962-em-janeiro-producao-industrial-cai-0-8

http://www.paulogala.com.br

https://www.youtube.com/channel/UCW42h2qDbbX3a9RsQT4pnYQ

http://blog.kanitz.com.br/

https://www.youtube.com/user/KanitzVideo/videos

http://www.administradores.com.br/artigos/economia-e-financas/o-plano-emergencial-que-entreguei-ao-palocci-stephen-kanitz/39125/

http://www.paulogala.com.br/o-modelo-de-substituicao-de-importacoes-nao-funcionou-no-brasil-e-na-america-latina-o-modelo-de-promocao-de-exportacoes-funcionou-no-leste-da-asia-na-inglaterra-na-alemanha-nos-eua-e-nos-paises-no/

http://blog.kanitz.com.br/entenda-trump/?fbclid=IwAR0ouocOQUGFVxGhmNNYspEeJ0UNbi-aaIojVdXuWEJp_aVJG39X9KoLdw0

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