Montezano apresenta diretoria do BNDES e meta de ‘explicar caixa-preta’

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O novo presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento), Gustavo Montezano, apresentou a funcionários nesta sexta-feira (12) a reestruturação e a nova diretoria do banco.

Na apresentação, há um cronograma de atividades que termina, na oitava semana, com a meta de “explicar a ‘caixa-preta’” do banco.

Montezano tomará posse no lugar de Joaquim Levy, que pediu demissão da presidência do BNDES em junho, sete meses após aceitar o convite feito pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.

Desde que assumiu o cargo, Levy havia anunciado a reestruturação na instituição com reduções e mudanças de cargos, mas não conseguiu abrir a tal caixa-preta do BNDES, promessa de campanha do presidente Jair Bolsonaro (PSL).

 

A apresentação desta sexta diz que o BNDES “deve ser sustentável e não necessariamente lucrativo” e que deve ter “atuação complementar e pioneira”.

“Não competir onde o privado pode atuar”, diz um dos slides.

Nas metas do novo comando está a “segregação mais clara” de áreas de negócio e de suporte e entre as diretorias de Negócios de Serviços e as de Crédito/Investimentos.

Também está prevista a criação de uma diretoria de Recursos Humanos com “foco nas pessoas”, uma de diretoria de Compliance com foco em governança e de uma diretoria de Relações Institucionais e Governos (Brasília) com foco nos clientes.

Foi apresentada ainda a nova estrutura de diretores, alguns deles temporários, enquanto Montezano busca nomes para preencher as vagas.

Chama a atenção na nova composição a presença de quadros do TCU. O novo comando do BNDES busca uma composição com o Tribunal de Contas da União, que protagonizou embates com as últimas gestões do banco.

Em abril,  o plenário do tribunal condenou Luciano Coutinho, ex-presidente do BNDES, a seis anos de inabilitação para cargos públicos, além de multa no valor de R$ 50 mil. A sanção é resultado da análise da participação dele nas chamadas “pedaladas fiscais”, que motivaram o impeachment de Dilma Rousseff.

 

O financeiro será, durante período de transição, José Flávio Ramos, hoje presidente interino do banco.

Operações ficará com Ricardo Wiering de Barros, diretor de programa da Secretaria Especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados

Recursos Humanos, também durante transição, ficará com Roberto Marucco, hoje diretor de Estratégia e Transformação Digital

O Jurídico ficará com Saulo Benigno Puttini, ex-auditor do TCU.

Compliance ficará com Alexandre Figueiredo Costa Silva Marques, auditor do TCU.

Fábio Almeida Abrahão, assessor especial do ministro Paulo Guedes (Economia) assume a Assessoria de Infraestrutura.

Crédito e Garantia ficam com Petrônio Duarte Cançado,  engenheiro que foi sócio de Guedes na gestora BR Investimentos entre 2008 e 2011.

Relacionamento Institucional e governo ficará a cargo de Adalberto Santos de Vasconcelos, demitido no último dia 5 do cargo de secretário especial do Programa de Parcerias e Investimentos (PPI).

Ele estava no cargo desde o governo Michel Temer e tinha um perfil considerado excessivamente técnico.

Vasconcelos deixou o ​PPI após a reformulação das secretarias vinculadas ao Palácio do Planalto. O ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil) se afastou da coordenação política do governo e assumiu atribuições como o PPI.

A Assessoria de Privatizações fica sob comando de Leonardo Cabral, que tem no currículo passagens por Ambev, Petrobras e Credit Suisse Brasil.

Transitoriamente, Denise Pavarina assume Crédito e Participações. Ex-diretora-executiva do Bradesco, ela hoje está na diretoria de Empresas do BNDES.