Eduardo, não é normal um pai ameaçar o filho de morte. Nem na privacidade

Todo mundo tem direito a defesa. O contraditório é da democracia. Mas não é possível que a sociedade brasileira aceite ouvir do deputado Eduardo Bolsonaro – filho do presidente Jair Bolsonaro – que na intimidade as pessoas “às vezes” são ameaçadas de morte e “nada significa”.”Na intimidade, até pai, às vezes, fala que vai matar…

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Todo mundo tem direito a defesa. O contraditório é da democracia. Mas não é possível que a sociedade brasileira aceite ouvir do deputado Eduardo Bolsonaro – filho do presidente Jair Bolsonaro – que na intimidade as pessoas “às vezes” são ameaçadas de morte e “nada significa”.

“Na intimidade, até pai, às vezes, fala que vai matar o filho. Namorado fala que vai matar namorada. E nada disso significa”, disse o filho do presidente em entrevista à Rádio Bandeirantes, para defender que o ministro da Educação, Abraham Weintraub, não cometeu crime ao dizer na reunião ministerial do dia 22 de abril que colocaria todos os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) na cadeia.

Não. Não é normal ninguém ameaçar de morte, nem na privacidade. Ou pelo menos, não deveria ser. Em que tipo de ambiente cresce o indivíduo que é submetido a uma criação que permite ameaças de morte?

Um pai tem autoridade. Mas ameaçar? Dizer que vai matar?

E um namorado em nenhuma hipótese tem esse “direito”.

Não se pode aceitar que, enquanto cresce a violência contra as mulheres durante a quarentena por conta do coronavírus, qualquer homem ameace sua companheira, em qualquer situação, seja em público ou na intimidade.

Narrativas de ódio, extremadas, tendem a acirrar ainda mais a iminente ruptura institucional que o Brasil vive.

“Já não sabemos quem, e o que, está certo”, disse um auxiliar palaciano nesta quinta-feira ao comentar os novos episódios na crise envolvendo a família Bolsonaro e os ministros do STF.

Eduardo disse ainda que “não existe crime por ter opinião”. Mas, da mesma forma em que o cidadão – seja ele com imunidade parlamentar, ou não – tem direitos, há também deveres.

E todos devem estar sujeitos a arcar com as consequências do que falam, inclusive legalmente. Ainda mais aqueles que estimulam qualquer tipo de violência.

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