Eduardo Embaixador, ônus e bônus

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Eduardo Bolsonaro terá um enorme desafio para contornar as críticas – justas e injustas – de sua transferência para os EUA após uma “enxurrada” de votos.  

Por Guilherme G. Villani

Em um primeiro momento eu concordei com Olavo de Carvalho. Como o “campeão” de votos para deputado federal, e que ajudou a eleger outros do PSL-SP, poderia abandonar a arena que conhece tão bem?

O desfalque de Eduardo na Câmara dos Deputados certamente será sentido. Basta olhar para o episódio envolvendo a Lei das Fake News. Eduardo fez o contraponto mais enfático e deu a merecida luz à emenda corporativista do deputado Kim Kataguiri.

Um outro aspecto ruim é termos em São Paulo, novamente, um político abandonando o cargo. Não é um cargo executivo, como José Serra e João Doria na prefeitura da cidade. Mas ainda sim é uma saída prematura do deputado federal mais votado da história.

Qual seria então o bônus de uma decisão tão importante? O “simples” fato de ser o filho do presidente?

Sim, este é um dos aspectos positivos. O presidente dos EUA Donald Trump está reorganizando as relações comerciais com o resto do mundo, em especial a relação com a China.

Os chineses se desenvolveram economicamente através de uma forte política de exportação de manufaturas para o resto do mundo. Os EUA, seu maior importador, se desindustrializou e acumulou um enorme déficit comercial com os chineses. Transferiu tecnologia para a China por conta de suas empresas que buscaram do outro lado do pacífico uma mão de obra barata. Uma situação insustentável.

Trump, com a ajuda de Steve Bannon, entendeu que ou os chineses aprendem que o comércio é uma via de duas mãos, ou que os chineses que comprem seus próprios produtos.

Neste jogo também há a questão dos valores democráticos, agora que a China enfrenta uma multidão enfurecida defendendo a liberdade em Hong Kong.

Trump precisa de aliados leais. Enviar o filho para a embaixada é enviar o próprio filho para “lutar” com os EUA, e qualquer acordo entre Brasil e EUA é um “acordo de sangue”.

O ônus neste caso, é a relação durar somente até 2020 em caso de derrota do atual presidente nas eleições.

Um outro aspecto positivo é que o Brasil precisa muito de investimentos americanos. Temos uma economia altamente oligopolizada em diversos setores, como Paulo Guedes já expressou: “Somos 200 milhões de patos e cinco bancos”.

Em diversos setores o desembarque de novos players seria bem vindo. E Eduardo já entendeu que é possível ajudar a trazer investimentos para o Brasil.

O desembarque da Time Warner/AT&T no Brasil seria um golaço em um setor (telecomunicações) carente de investimentos e novos players. Eduardo já articula para tal.

Caso a vinda se concretize pela compra da Oi melhor ainda.

A Oi é resultado de negociatas de governos anteriores que apostaram na política de “campeões nacionais”. E que deu errado. Afundada em dívidas e resultados ruins, a companhia agoniza em uma Recuperação Judicial que encaminha para falência caso não haja novos aportes financeiros ou mesmo redução de compromissos como a manutenção dos obsoletos orelhões. O PLC 79 na Câmara é que trata deste assunto e será debatido nas próximas semanas.

O uso da base de Alcântara pelos EUA ainda carece de esforço do lado brasileiro para se concretizar, desde a questão das salvaguardas tecnológicas, até a parte de infraestrutura da base como Eduardo expôs recentemente.

Em um próxima etapa do programa de desestatização prevista pela equipe econômica, será muito bem vindo o desembarque de investimentos americanos no Brasil. O embaixador do Brasil nos EUA será primordial neste corpo a corpo com investidores.

Por fim, Eduardo será substituído pelo deputado federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança, um excelente quadro do PSL, na comissão de relações exteriores da câmara. Menos mal.

Se de um lado teremos a ausência Eduardo Bolsonaro na Câmara, por outro teremos um embaixador capaz de fazer da embaixada uma própria extensão do governo brasileiro e do presidente.

Se a escolha foi certa ou não só poderemos dizer daqui quatro anos.

Por ora vejo o copo meio cheio e meio vazio. Espero que Eduardo faça-o transbordar.

Fontes:

https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,apos-lobby-de-eduardo-bolsonaro-anatel-inclui-fusao-da-atet-com-time-warner-na-pauta,70002976875

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