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Dólar passa de R$ 3,80, e Bolsa cai 0,94% com exterior e fala de Bolsonaro

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O dólar comercial fechou esta terça-feira (22) em alta de 1,25%, cotado a R$ 3,806 na venda, no sexto avanço consecutivo. É a maior valorização percentual diária em quase dois meses, desde 26 de novembro ( 2,49%), e o maior valor de fechamento desde 2 de janeiro (R$ 3,81). O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, fechou em queda de 0,94%, a 95.103,38 pontos.

O mercado reagiu ao discurso do presidente Jair Bolsonaro no Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça) e a notícias sobre a tensão comercial entre EUA e China e preocupações com o crescimento global (leia mais abaixo).

Na véspera, o dólar havia fechado praticamente estável, com leve alta de 0,07%, cotado a R$ 3,759, e a Bolsa teve leve baixa de de 0,09%, a 96.009,77 pontos.

O valor do dólar divulgado diariamente pela imprensa, inclusive o UOL, refere-se ao dólar comercial. Para turistas, o valor sempre é maior.

Ações de frigoríficos despencam

As maiores quedas do dia na Bolsa foram das ações da BRF (-5,02%), dona das marcas Sadia e Perdigão, e da Marfrig (-5,47%), após a Arábia Saudita suspender a importação de carne de frango de 33 frigoríficos do Brasil.

Também fecharam em queda os papéis da Petrobras (-1,57%), do Bradesco (-0,45%), da mineradora Vale (-0,36%), do Banco do Brasil (-0,19%) e do Itaú Unibanco (-0,16%). Essas empresas têm grande peso sobre o Ibovespa.

Discurso de Bolsonaro em Davos

Investidores reagiram negativamente ao discurso de Bolsonaro no Fórum Econômico Mundial. O discurso frustrou parte do mercado, que esperava mais detalhes sobre a proposta do governo para a reforma da Previdência. O presidente falou por cerca de seis minutos e não fez nenhuma menção específica a ela.

“[O discurso] Foi genérico, ele leu. Mas passou a mensagem para educar a média daqueles que não sabem o que é o Brasil”, disse o presidente do Itaú na América Latina, Ricardo Marino.

Um banqueiro alemão em Davos, que não quis ser identificado, reclamou da falta de informações no discurso de Bolsonaro. “Ele deu manchetes. Mas nós queremos detalhes”, afirmou. “Talvez não haveria como pedir mais dele”, disse ao jornal “O Estado de S. Paulo”.

“Havia expectativa sobre se [Bolsonaro] ia ou não falar sobre a reforma da Previdência, e ele não falou. Falou de outros setores que pretende fomentar, e quando foi questionado meio que se esquivou e acabou não falando nada”, afirmou o operador de câmbio Jefferson Laatus, sócio da Laatus Educacional.

A reforma da Previdência é vista pelo mercado como uma das principais medidas do governo para equilibrar as contas públicas.

Tensões entre EUA e China

No exterior, investidores estavam cautelosos com notícias de que os EUA teriam recusado uma oferta da China para uma reunião preparatória antes de negociações marcadas para a próxima semana. O mercado teme que isso represente um aumento nas tensões comerciais entre os dois países.

“Temos os relatos dos EUA de que as conversas com a China estão numa situação mais difícil… É um recuo do que vinha tendo, coloca uma ducha de água fria nas expectativas do mercado”, disse o economista da Tendências Consultoria, Silvio Campos Neto, à agência de notícias Reuters.

A notícia ajudou a puxar o desempenho das Bolsas dos EUA para baixo, o que também afetou o mercado brasileiro.

Preocupações com economia global

Na segunda-feira (21), o FMI (Fundo Monetário Internacional) cortou suas previsões de crescimento global para 2019 e 2020, citando fraqueza na Europa e em alguns mercados emergentes, além de tensões comerciais.

No mesmo dia, a China informou que registrou em 2018 a taxa de crescimento mais lenta em 28 anos, o que coloca o país sob pressão para atuar com novas medidas de estímulo.

Como as Bolsas dos EUA não abriram na segunda-feira por causa de feriado, a reação por lá a essas notícias aconteceu nesta terça-feira (22).

Atuação do BC

O Banco Central brasileiro vendeu nesta sessão 13,4 mil contratos de swap cambial tradicional, equivalente à venda futura de dólares. Desta forma, rolou US$ 10,05 bilhões do total de US$ 13,398 bilhões que vencem em fevereiro. Se mantiver essa oferta diária e vendê-la até o final do mês, terá feito a rolagem integral.

(Com Reuters e Estadão Conteúdo)