Desenvolvedores de jogos podem aliviar o estresse no transporte diário

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(SÃO PAULO) – Os desenvolvedores de videogames deveriam criar jogos on-line para ajudar a resolver os problemas do mundo real com o transporte urbano, diz a fabricante de automóveis Ford.


O Ford Smart Mobility Challenge (Desafio Ford de Mobilidade Inteligente), lançado na quinta-feira na feira comercial Gamescom, visa aproveitar as “ideias brilhantes” da comunidade de jogos para ajudar a fomentar uma mudança positiva no comportamento dos passageiros – e, ao mesmo tempo, possibilitar que os provedores de transporte planejem seus serviços de modo mais eficiente.

“Os jogos têm a ver principalmente com regras e mecânica. Esses são os ingredientes que nos ajudam a organizar o mundo digital”, disse Björn Bartholdy, professor de design de mídia e um dos diretores do Cologne Game Lab, que trabalhou com a Ford para criar a competição.

“Portanto, criar jogos nos ajuda a compreender sistemas complexos – e a mobilidade se tornou um sistema muito complexo –”, disse ele.

“A ideia é aplicar os padrões que conhecemos dos jogos digitais para ajudar os passageiros a terem uma forma mais segura, mais agradável e melhor de transitar por esse sistema complexo”, acrescentou Bartholdy.

Poderiam se inscrever na competição jogos que recompensem os passageiros por ir andando ou de bicicleta quando o clima estiver bom e que os conectem a serviços de compartilhamento de carro ou a rotas subutilizadas.

Mecanismo de defesa

“A maioria das pessoas está presa a padrões de mobilidade em torno das rotas e dos meios de transporte que elas usam pelas cidades. Achamos que elas fazem isso como um mecanismo de defesa”, explicou Will Farrelly, que trabalha com a inovação da experiência do usuário para a Ford Smart Mobility.

A pesquisa da Ford mostrou que as pessoas não querem apenas chegar na hora certa e em um tempo razoável, elas também dão valor à qualidade da jornada. “Há um enorme valor em chegar a um lugar com um bom estado de espírito, com um baixo nível de ansiedade”, acrescentou Farrelly.

“As mensagens sobre o quanto uma jornada foi superlotada ou confortável, junto com outras informações sociais, poderiam ser mais relevantes para ajudar os usuários finais a tomarem decisões conscientes”, disse ele, acrescentando que talvez os passageiros não se importem se um trajeto demorar dez minutos a mais, desde que seja menos estressante.

Há um prêmio de 10.000 euros (US$ 10.900) para a equipe vencedora, além da possibilidade de que a Ford faça investimentos adicionais se a ideia for suficientemente boa.

“Se conseguirmos encontrar um design de interface de usuário realmente importante, que possa modificar o comportamento do consumidor ou reduzir a ansiedade no transporte, tenho muita certeza de que investiríamos nisso”, disse Farrelly.

Trabalho conjunto

Grandes tendências, como a urbanização e a tecnologia móvel, estão modificando o comportamento das pessoas e as expectativas dos serviços, e precisamos poder concorrer nesse mundo em transformação, disse ele, mencionando startups como Uber, BlaBlaCar e CityMapper.

“Elas são asset-light e, em termos de potencial de negócios, altamente valorizadas”, acrescentou.

O setor automobilístico está passando por um momento crítico, disse Farrelly, pois a tecnologia provoca estragos em 100 anos de design de carros e certezas em relação ao transporte urbano.

“Se não compreendermos como os carros e os serviços de mobilidade poderiam trabalhar juntos, vamos ter um problema mais adiante”.

Por Olivia Solon