Controlar preços da Petrobras é tiro no pé

A ingerência do governo no cancelamento de reajuste no preço do óleo diesel previamente anunciado pela Petrobras é um tiro no pé.De acordo com a política de preços da estatal, que leva em conta a cotação do barril de petróleo no mercado internacional, o diesel deveria ser reajustado em 5,7% e passaria a custar R$…

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A ingerência do governo no cancelamento de reajuste no preço do óleo diesel previamente anunciado pela Petrobras é um tiro no pé.

De acordo com a política de preços da estatal, que leva em conta a cotação do barril de petróleo no mercado internacional, o diesel deveria ser reajustado em 5,7% e passaria a custar R$ 2,26 na refinaria.

A interferência governamental na política de preços da Petrobras tem sido historicamente nefasta. Não precisa ir muito longe. A experiência recente ainda está viva na memória de todos que pagam a conta de dezenas de bilhões de reais deixada pelo governo Dilma Rousseff.

Qualquer sinal de volta a tal política gera uma preocupação justificada. O controle de preço não arrebenta apenas a conta da Petrobras; no final cai no colo do Tesouro Nacional, ou seja, no seu bolso.

Além do rombo, a intervenção nos preços dos combustíveis causa também todo tipo de distorção na cadeia produtiva ao inviabilizar atividades de outros segmentos, como o refino e a própria importação de combustíveis, necessária como ajuste de oferta de demanda de combustíveis.

A determinação de Bolsonaro vai contra a política econômica do próprio governo Bolsonaro. Repete-se, assim, o tabelamento de frete negociado pelo governo Temer que bateu de frente com a política econômica do próprio governo Temer. Não é possível que falte tanta imaginação para enfrentar o problema dos caminhoneiros.

Isso gera apreensão e faz a Bolsa cair e o dólar subir. As ações ordinárias e preferenciais da Petrobras tiveram forte queda após a companhia desistir do aumento do preço do diesel nas refinarias. O árduo trabalho de resgate da credibilidade da gestão da empresa fica arranhado com interferências desse tipo.

O interesse da iniciativa privada nas refinarias e consequentemente o sucesso do programa de desestatização dependem de uma política de preços realista. Mas quem vai querer investir no refino se, a qualquer momento, o governo pode mudar as regras do jogo?

E nesse contexto, qual a função do órgão regulador do setor, a Agência Nacional do Petróleo? Afinal, é importante saber quem decide a política de preços. Se é a Presidência da República, a empresa ou o regulador.

Enquanto não houver clareza sobre quem manda e respeito às regras de mercado, o país não vai para frente.

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