Com a morte ainda ‘tabu’, cemitérios investem em atendimento diferenciado para auxiliar as pessoas

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Basta surgir o tema “morte” em uma conversa para a grande maioria das pessoas fugir do assunto. Ainda que seja um ponto necessário, falar sobre o fim da vida ainda é visto como algo de “mau gosto”. Isso exige que cemitérios e funerárias busquem métodos alternativos para se aproximar das pessoas.


Praticamente três em cada quatro brasileiros consideram que a morte é um assunto tabu para ser abordado, de acordo com pesquisa encomendada pelo Sindicato dos Cemitérios e Crematórios Particulares do Brasil (Sincep). Além disso, 30,4% admitem que não sabem como ou com quem falar sobre morte.

Por conta disso, é necessário que os profissionais e empresas do setor mudem suas estratégias de abordagem com as famílias que precisam de seus serviços. A falta de conhecimento sobre o tema e a carga emocional logo após a morte de um ente querido fazem com que elas se sintam vulneráveis diante de decisões que precisam ser tomadas sobre o velório e enterro.

“Não há uma cultura da morte no Brasil. As pessoas não querem e evitam a discussão sobre este tema. Assim, quando chega esse momento, elas não conseguem decidir questões que precisam ser solucionadas. É nossa função ajudá-las a encarar essa situação difícil”, explica João Paulo Oliveira, Diretor Comercial do cemitério Colina dos Ipês.

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Localizado em Suzano, na região metropolitana de São Paulo, o cemitério é um exemplo prático na busca por um atendimento diferenciado aos cidadãos. Nos últimos anos houve mudanças em sua estrutura e investimento em capacitação de funcionários para oferecer um serviço humanizado às pessoas que perdem seus familiares e proporcionar acolhimento em uma situação tão importante.

Uma das principais alterações aconteceu nas salas de velório. Agora, elas possuem pinturas com símbolos sagrados que atendam famílias de diferentes religiões. Há desde temas cristãos, que agradam evangélicos e católicos, a imagens que remetem a religiões orientais, como o budismo.

Além disso, o Colina dos Ipês possui um cerimonialista para auxiliar aqueles que precisam de orientação após a morte de um familiar. Ele ajuda a definir detalhes de ambientação, como os rituais, a homenagem em si, escolha de uma música e posição dos móveis, e até a utilização de utensílios, como velas e imagens de santos.

“Queremos que as pessoas que utilizem nossos serviços possam se despedir de seus entes queridos de forma adequada e tranquila, sem qualquer preocupação com o velório ou o enterro”, conclui João Paulo.

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