Amada por governos, odiada por ativistas: a empresa que criou o vírus-espião que invade celulares ‘pelo ar’

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Quem imaginava que o WhatsApp seria a porta para um vírus-espião? A brecha, considerada gravíssima, fez a galera correr para atualizar o app.

O vírus é usado para invadir celulares, acionar câmera e microfone e coletar arquivos, sem que a vítima precise clicar em nada.

Mas ele não foi criado para atingir pessoas comuns. O WhatsApp suspeita que ele foi feito por uma empresa que é alvo de denúncias de ativistas.

Um dos fundadores é Shalev Hulio, ex-militar das forças de paz do Haiti e descendente de sobreviventes do Holocausto que fugiram da Romênia. Começou, ao lado do amigo de infância Omri Lavie, com uma startup que permitia às pessoas comprarem o que viam nos seriados. O negócio acabou após a crise de 2008.

Com a chegada dos smartphones (o iPhone é de 2007), a dupla viu uma nova oportunidade: fornecer tecnologia para que operadoras de telefonia fizessem manutenção à distância nos aparelhos. Nascia aí o protótipo do vírus que os deixaria famosos.

Veio da mitologia grega a inspiração para o principal produto na prateleira da NSO: cavalo alado dos deuses, Pegasus é o nome dado ao vírus espião que fez a empresa famosa.

Okay, a contaminação de um aparelho não é feita pelo ar. É só uma metáfora para sua forma invisível de infectar celulares. Capaz de infiltrar sem a vítima clicar em links ou baixar quaisquer arquivos, o Pegasus coleta vários tipos de dados antes de serem criptografados.

El Chapo teve sua localização descoberta quando negociava trazer o ator Sean Pean para sua série. O vírus espião da NSO ajudou ainda a prender desde pedófilos a caminho de encontros com crianças até terroristas usando coletes-bomba prestes a explodir.

Não é só de atos heroicos que vive a NSO. Apenas em 2018, 45 países mostravam indícios de usar o Pegasus –nem todos tinham boas intenções e muitos deles eram regimes autoritários que usam o vírus contra a sociedade civil.

Há casos no Barein, Cazaquistão, México, Marrocos, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

Delpixart/Getty Images/iStockphoto

O governo mexicano, por exemplo, colocou o Pegasus para monitorar jornalistas que investigavam casos de corrupção pública. Membros da Anistia Internacional também descobriram ter sido monitorados pelo vírus, mas não descobriram quem era o mandante. A NSO nega que seu software fosse usado para isso.

Mas, a NSO enfrenta um processo na Justiça. Ela é acusada de interceptar o celular do jornalista Jamal Khashoggi, crítico ferrenho do governo saudita que foi morto dentro do consulado da Arábia Saudita em Istambul, capital da Turquia –outro país suspeito de usar o Pegasus para vigiar ativistas. A NSO nega que esteja envolvida.