Agilidade e velocidade em startups

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Por Redação | 16 de Maio de 2019 às 16h29


Por Julio Duram 

No mundo de tecnologia, é comum haver uma grande confusão quando ouvimos a palavra agilidade. O natural é associá-la a entregas rápidas, mas, como o próprio dicionário denuncia, ser ágil é também ser ligeiro, de maneira que mudanças nas direções não o impeçam de ser veloz.

Na Rodovia Bandeirantes, em condições normais de temperatura e pressão, uma Ferrari se mostraria mais rápida. Em contrapartida, na Avenida dos Bandeirantes, que vive a rotina do trânsito caótico de São Paulo, uma moto Biz teria mais agilidade já que conseguiria ultrapassar os carros parados. Mesmo com toda a potência do motor e décadas de desenvolvimento de tecnologia no setor, a Ferrari não conseguiria ser mais ágil que a Biz num cenário de caminho tortuoso e que exige decisões rápidas.

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Entender essa diferença entre agilidade e velocidade se faz necessário porque mudança é o que não falta quando se fala de desenvolvimento de produtos digitais, principalmente em startups. Essas empresas muitas vezes estão abrindo novos mercados, desenvolvendo tecnologias e soluções disruptivas e olhando pra problemas de consumidores antes nunca trabalhados. Enfrentam desafios onde a resposta pra pergunta não está dada. O cenário se assemelha mais ao trânsito de São Paulo no horário de rush do que ao de uma rodovia sem buracos e com cinco pistas livres.

Engana-se quem também associa agilidade à tecnologia de ponta. É necessário investir em aprimoramento da infraestrutura, afinal estamos falando de empresas que tem como core resolver problemas com soluções tecnológicas. Mas um passo fundamental é rever os processos e times. Uma questão crucial para startups é encontrar uma forma de testar (e eventualmente errar) barato. Testar, aprender, redirecionar e aprimorar.

Startups, principalmente fintechs, são conhecidas por terem uma estrutura enxuta de colaboradores. Pra tornar os processos mais ágeis, uma indicação é envolver pessoas dos diferentes times em todas as etapas do processo.

A solução organizacional é reunir os colaboradores em squads. Cada grupo está envolvido em uma parte do problema e da solução e reúne pessoas de tecnologia e produto, mas também negócios, jurídico e marketing. Se a área jurídica, por exemplo, precisa antecipar os entraves do produto ou solução, ela precisa atuar desde o começo do desenvolvimento e não ser informada apenas na etapa final do processo.

Por um lado, uma metodologia ágil pode não ser a maneira mais rápida e assertiva de chegar a um resultado quando o problema e a solução estão bem delineados nas etapas iniciais de desenvolvimento; por outro, é o caminho mais rápido e barato para entregar resultados progressivos quando o processo de descoberta precisa caminhar junto com o desenvolvimento.

* Julio Duram tem mais de 20 anos de experiência no mercado de produto e tecnologia. Atualmente é diretor de produto e tecnologia da fintech Guiabolso

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