Aeroportos concedidos ao setor privado são melhores para os passageiros?

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Aeroporto no Recife é destaque no bloco do Nordeste de terminais leiloados – Foto: Flickr/Infraero

O governo fez hoje seu primeiro leilão de infraestrutura, concedendo à iniciativa privada a operação de 12 aeroportos do país. Afinal, o que deve mudar para os consumidores? Pode haver um impacto no bolso dos passageiros?

De modo geral, deve haver melhorias na infraestrutura, mas há risco de aumento de preços, afirmou Paulo Resende, coordenador do Núcleo de Infraestrutura, Suplly Chain e Logística da Fundação Dom Cabral.

“Os atuais aeroportos (privatizados) têm se mostrado com infraestrutura muito melhor do que o que tínhamos há uma, duas décadas. Isso se percebe pelo chamado pacote de qualidade, que melhora com a gestão privada”, afirmou.

Entre as melhorias, ele citou como exemplos:

  • aumento de capacidade de embarque
  • uso mais frequente de fingers (pontes de embarque e desembarque direto, sem precisar de ônibus)
  • melhorias nas áreas de conveniência
  • maior variedade de lojas e serviços complementares
  • mais vagas de estacionamento

Segundo ele, é preciso ficar alerta para que não haja elevação das tarifas e taxas praticadas em todo o país no médio prazo. 

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Preços de restaurantes e lojas

Ano após ano, os itens que têm pior avaliação na pesquisa de satisfação dos passageiros são os preços de lanchonetes e restaurantes, lojas e estacionamentos. Particularmente, os aeroportos privatizados têm se saído pior nessa avaliação, quando comparados aos demais.

No caso de lanchonetes e restaurantes, é mais fácil repassar ao consumidor um aumento de custos –por exemplo, um aluguel mais caro–, disse o economista da Fecomercio/PE Rafael Ramos. No caso do preço do estacionamento é um pouco mais difícil. “Tudo vai depender da estratégia de gestão da companhia, que vai conseguir avaliar o quanto um preço competitivo vai ou não impactar em seu faturamento.”

Para Paulo Resende, os preços praticados nessas áreas já são, hoje, abusivos e não houve melhoria com a iniciativa privada. Ele aponta que as justificativas normalmente são atribuídas a aluguel de espaços, dificuldades logísticas e ao volume limitado de clientes e consequentes vendas, o que seria um grande alerta.

“O único caminho para reduzir esses preços seria o de facilitar a concorrência, inclusive de mesmos tipos de produtos, no espaço do aeroporto, conforme um ajuste do próprio mercado. Em curto prazo, isso não vai mudar”, disse Resende.

Aeroportos menores com qualidade menor

Segundo Resende, é possível que as melhorias –e também impacto nos preços– seja diferente em aeroportos de pequeno porte.

“Não podemos esperar grande qualidade de serviço em pequenos aeroportos. O tipo de serviço será condizente com o fluxo de pessoas e o preço praticado –e isso acontece no mundo inteiro”, afirmou. “Em aeroportos maiores, haverá mais sofisticação, mais variedade de lojas e serviços, e também preços mais altos.”

(Reportagem de Ed Wanderley, colaboração para o UOL, em São Paulo)