A água podre que pode afogar Witzel

Há mais de uma semana, moradores da Baixada Fluminense vêm recebendo água com odor, gosto e cor fortes em casa. Relatos de pessoas passando mal após o consumo se multiplicam. Evaporam os estoques de água mineral em vários supermercados. A Cedae, por sua vez, atribui o problema à presença de geosmina, nada mais. A resposta…

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Há mais de uma semana, moradores da Baixada Fluminense vêm recebendo água com odor, gosto e cor fortes em casa. Relatos de pessoas passando mal após o consumo se multiplicam. Evaporam os estoques de água mineral em vários supermercados. A Cedae, por sua vez, atribui o problema à presença de geosmina, nada mais. A resposta da empresa é que geosmina, uma substância produzida por algas, seria inofensiva.
Em nota à imprensa, a Cedae informou que a água fornecida “está dentro dos parâmetros exigidos pelo Ministério da Saúde e própria para o consumo”. A companhia divulgou que adotará, em caráter permanente, a aplicação de carvão ativado pulverizado no início do tratamento. “Isso será feito para reter a geosmina caso esse fenômeno volte a ocorrer. A Cedae já deu ordem para a aquisição que deverá ser aplicada nos próximos dias”, disse em comunicado.
O silêncio do presidente da estatal, Helio Cabral Moreira, está deixando a população desesperada. Um carro blindado no valor de R$ 311.900 em aluguel, nos próximos 24 meses, para uso exclusivo de Hélio Cabral. O contrato foi publicado no Diário Oficial do governo do Estado no dia de 7 de janeiro. Segundo a Cedae, o objetivo é evitar ações que “poderiam levar a tentativas de retaliação” por parte de funcionários após “decisões duras, como corte de privilégios”.
O mais cobrado, porém, é o governador Wilson Witzel, que também não se pronunciou, além de não conseguir explicar como seu nome foi parar na delação do lobista Daniel Gomes, que afirmou ter pago R$ 115 mil de caixa dois em 2018 para a campanha eleitoral do atual governador do Rio.
Ex-conselheiro da Cruz Vermelha e com atuação na área da saúde, Gomes fez um acordo de delação que resultou na prisão do ex-governador da Paraíba Ricardo Coutinho (PSB) na Operação Calvário — ele já foi após uma decisão do STJ. Trechos do seu relato foram divulgados pela imprensa, sem que Witzel sofresse qualquer crítica.
Não só a água parece estar podre no Rio. A durabilidade de seu mandato também. Alguns deputados estaduais do Rio estão querendo até o impeachment do governador. “Já estamos cuidando disso. Só gostaria de recordar que ainda estamos no recesso. As denúncias são graves, e tudo será apurado”, disse o deputado estadual Márcio Gualberto em resposta ao tuíte de Felipe Barros, deputado federal do Paraná.

Já estamos cuidando disso. Só gostaria de recordar que ainda estamos no recesso. As denúncias são graves, e tudo será apurado.
— Márcio Gualberto (@depmgualberto) January 11, 2020

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