5G? Donald Trump já quer conectividade 6G nos Estados Unidos

Quem for mais velho, vai lembrar dos primeiros tocadores portáteis de música em formato MP3 (MPEG-1 Audio Layer 3). Eram os chamados MP3 players. Logo vieram equipamentos mais modernos, com tela, que rodavam ainda vídeos em formato MP4, os MP4 players. A partir de então, o mercado foi inundado de devices que eram compatíveis com…

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Quem for mais velho, vai lembrar dos primeiros tocadores portáteis de música em formato MP3 (MPEG-1 Audio Layer 3). Eram os chamados MP3 players. Logo vieram equipamentos mais modernos, com tela, que rodavam ainda vídeos em formato MP4, os MP4 players. A partir de então, o mercado foi inundado de devices que eram compatíveis com os mais diversos formatos, e foram criativamente chamados de MP5, MP6, MP7, MP8 e por aí vai — apesar de não existirem esses tipos de arquivo.

Não fazia muito sentido, mas era a lógica de quem não entende muito bem da tecnologia por trás do que usamos no nosso dia a dia. Na cabeça de muita gente, por exemplo, o mesmo vale para a conectividade móvel: tivemos 1G, depois a 2G, mais rápida, seguida por 3G, melhor ainda, a atual 4G, a vindoura 5G e daqui a pouco, certamente, o 6G, né?

Uma das pessoas que devem acreditar nisso é o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump:

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I want 5G, and even 6G, technology in the United States as soon as possible. It is far more powerful, faster, and smarter than the current standard. American companies must step up their efforts, or get left behind. There is no reason that we should be lagging behind on………

— Donald J. Trump (@realDonaldTrump) 21 de fevereiro de 2019

“Eu quero a tecnologia 5G e até 6G nos Estados Unidos o mais rápido possível. É muito mais poderosa, mais rápida e mais inteligente que o padrão atual. As empresas americanas devem intensificar seus esforços ou ficar para trás. Não há razão para estarmos atrasados em algo que é tão obviamente o futuro. Eu quero que os Estados Unidos ganhem com a concorrência, não bloqueando as tecnologias atualmente mais avançadas. Devemos sempre ser o líder em tudo o que fazemos, especialmente quando se trata do mundo da tecnologia que é muito empolgante”, afirmou o presidente no Twitter.

Ok, a mensagem pode ser entendida como Trump afirmando que as pesquisas no setor devem continuar para além do 5G. Que as empresas do país devem se manter na vanguarda e continuar empurrando as fronteiras da tecnologia para mais além.

O problema é que não existe 6G, tampouco qualquer previsão ou estudo sobre isso. Empresas norte-americanas e chinesas ainda estão se degladiando para saber quem estará na ponta da lança do 5G. Além disso, não é assim que funciona: “há uma evolução na tecnologia, logo nomearemos de acordo com a sequência numérica”, como numa continuação de Velozes e Furiosos. O que foi um péssimo exemplo, porque nem todos os filmes da série são numerados – até isso!

Antes, temos que entender o que significa tudo isso. O “G” é de “geração”, então estamos falando de primeira geração, segunda geração e assim por diante. Essa história começa no fim dos anos 1970, com o início da implementação das primeiras redes de telefonia móvel para uso comercial. A primeira geração era analógica e não era chamada de 1G até que (adivinha?) apareceu o 2G, que já era digital, e introduziu as mensagens de texto (SMS) e o envio de imagens (MMS), permitindo ir além da simples ligação de voz.

A terceira geração, 3G, é o padrão hoje em muitas regiões do Brasil e do mundo, além de ter trazido um salto enorme em relação à tecnologia anterior, por isso a mudança de geração. Mais dados e mais voz, num custo bem mais baixo. Saímos de velocidades de 50 Kbps (GPRS) e 1 Mbps (EDGE) para 2 Mbps e além.

A evolução para o 4G também foi uma mudança drástica. Estamos falando aqui de uma tecnologia totalmente diferente, resultado de anos de evolução em pesquisa, impossível de ser prevista no início do 3G. Tanto que existe uma dificuldade de infraestrutura para a sua implementação geral – no Brasil inclusive. A cobertura 4G demorou a se expandir porque antenas e sistemas inteiros tiveram que ser trocados. As velocidades pularam para até 100 Mbps.

A promessa é que esse ano veremos as primeiras incursões no 5G, mas antes tivemos a chegada do 4G LTE — uma versão do 4G que, que significa Long Term Evolution (evolução de longo prazo), mas que não representa um salto de geração. O 5G já é outra história. A promessa é de taxas de transferência de dados significativamente mais rápidas (até 35x melhor do que o 4G), maior densidade de conexão e latência muito menor, além de impacto em outros componentes, como menor consumo de bateria e melhor cobertura geral sem fio.

Então, senhor presidente, infelizmente não teremos 6G por enquanto.

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